domingo, 5 de abril de 2009

Don't divorce us

Encontrei este vídeo num dos blogs que fazem parte da minha leitura regular, rápida ou mais lenta conforme o tempo permitir. É realmente um assunto controverso, especialmente no nosso país, na altura em que nos encontramos, o casamento homossexual.
O blog que o publicava dizia também que o nosso país não tem civismo suficiente para saber reagir a ou discutir este tipo de assuntos. E nisso concordo. Baseando-me bastante no que li, sinto necessidade de referir que na verdade os assuntos complicados ou, digamos, de índole mais controversa ou delicada, nunca foram abordados em Portugal de uma maneira que possa ser considerada a correcta. E isto porque nunca se conseguiu um debate também ele correcto. A discussão de assuntos como este (podendo agora mencionar o caso do aborto como exemplo perfeito), longe de ser considerada a discussão saudável que poderá levar a soluções razoáveis, sempre se baseou em arranjar os argumentos mais passíveis de arruinar os do outro lado e não em conseguir perceber as razões desse mesmo outro lado, fossem esses argumentos correctos ou não, lógicos ou não.
Não sei se com isto já me consegui explicar, mas creio que o seguinte exemplo que também li consegue fazer isso. O blog que consultei na altura falava de um médico, que aquando da consideração da legalização da morte assistida, declarava que não concordava com isso. O que no entanto, não o capacitava de impôr essa sua opinião a qualquer outra pessoa, já que apenas era capaz de imaginar os sentimentos e pensamentos daqueles que consideravam essa a sua última opção. A verdade é que não poderia concordar mais com este ponto de vista. Estando a falar de uma opção pessoal, e admitamos, uma opção que em nada afecta outros para além daquele que decide o que fazer com a sua própria vida, a nossa posição perante o caso não deveria influenciar o facto desses individuos poderem ou não tomar essa decisão. Aliás, como pode o Estado considerar que tem o direito de estabelecer precisamente a proibição dessa decisão pessoal?
É aqui que quero chegar com este texto. Se eu própria encetaria um casamento homossexual? Creio que não, por enquanto. Precisamente porque aquilo que sinto e aquilo que sou não conduz a essa decisão. Mas em que medida é que o casamento homossexual de outra pessoa vai prejudicar-me? É uma questão tão pessoal que, lá está, se enquadra nessa condição de algo que não deveria sequer ser debatido. E no entanto, aquilo que vemos são discussões contínuas sobre o assunto, inúteis, ridículas, porque como já disse aqui em cima, simplesmente se baseiam em arruinar o outro lado, o do "sim" ou do "não", em o ridicularizar e tornar "inaceitável". E isso, meus amigos, sou eu que não entendo.
Parece, entretanto, que há uma tentativa por parte de Ken Starr de invalidar os casamentos homossexuais feitos na Califórnia entre Maio e Novembro. E é em relação a essa situação que este vídeo se pronuncia. E eu acredito que é impossível ficar indiferente a algumas das fotografias.

Um comentário:

Breathe'n'Evoke disse...

É lá! Realmente estás aqui a fazer algo que nunca tinha visto em qualquer outro sítio! Se eu podesse alegorizar isto, diría que conseguiste aqui separar o azeite da água.

Logo, desde já um grande ponto a favor na tua forma de expores o 'problema'.

E com este, teu, ponto de vista te digo que fico sem possíveis argumentos para defender parte que seja.

Contudo, deixo aqui um registo de opinião pessoal: penso que na sociedade em que vivemos muitas vezes é 'misturado' sem razão (pelo menos uma que eu consiga ver) o facto de duas pessoas gostarem de estar uma com a outra e,por isso, viverem juntas e a junção a esta vontade a necessidade de transformar, ou de 'importar' para este tipo de relação o acto sexual.

Quanto ao facto de na nossa sociedade ser-nos impingido segurança: quanto a de nós aos outros acho bastante correcto, já à segunraça de nós a nós mesmos, bem... É certo e sabido que pertencemos a uma classe não 'dominadora' da sociedade, classes essas que dominam que querem forçar a que nós, os que trabalhamos para eles, estejamos bem de saúde e não matemos ninguém, deles. Penso que isto resume o muito que poderia ser dito, pelo menos do meu ponto de vista.

Que bem este post! Gostei, temos de criar um blog de ideias e assuntos para, construtivamente, discutirmos em comunidade pá! :D:D

Bjs *